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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Seção Leitura - Parte II

Comunidade
Franz Kafka

Somos cinco amigos; uma vez saímos um atrás do outro de uma casa; primeiro veio um e pôs-se junto à entrada, depois veio, ou melhor dito, deslizou-se tão ligeiramente como se desliza uma bolinha de mercúrio, o segundo e se pôs não distante do primeiro, depois o terceiro, depois o quarto, depois o quinto. Finalmente, estávamos todos de pé, em uma linha. A gente fixou-se em nós e assinalando-nos, dizia: os cinco acabam de sair dessa casa. A partir dessa época vivemos juntos, e teríamos uma existência pacífica se um sexto não viesse sempre intrometer-se. Não nos faz nada, mas nos incomoda, o que já é bastante; porque se introduz por fôrça ali onde não é querido? Não o conhecemos e não queremos aceitá-lo. Nós cinco tampouco nos conhecíamos antes e, se quer, tampouco nos conhecemos agora, mas aquilo que entre nós cinco é possível e tolerado, não é nem possível nem tolerado com respeito
àquele sexto.

Além do mais somos cinco e não queremos ser convivência permanente, se entre nós cinco tampouco tem sentido, mas nós estamos já juntos e continuamos juntos, mas não queremos uma nova união, exatamente em razão de nossas experiências. Mas, como ensinar tudo isto ao sexto, pôsto que longas explicações implicariam já em uma aceitação de nosso círculo? É preferível não explicar nada e não o aceitar. Por muito que franza os lábios, afastamo-lo, empurrando-o com o cotovelo, mas por mais que o façamos, volta outra vez.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Coletivo Sem Ruído



Quase) um microconto por dia. É esse o objetivo dessa galera, o @semruido, . Eles misturam a cultura do stêncil, nas ruas, com o Twitter. O resultado são narrativas curtíssimas (todas com menos de 140 caracteres, é claro), coladas em pontos estratégicos da cidade de São Paulo e postadas no Twiiter.

Vejam alguns dos microcontos:

62 - Estava a poucos segundos de perder tudo o que tinha conquistado. Tateou seus bolsos em busca da salvação. Game Over. -i

225 - Naquele dia não havia brilho nos olhos. Morreu um pouquinho.-k

39 - Colocou a câmera de lado. Percebeu que só fotografava o que queria esquecer. -i

Bacana, né?