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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

paulo leminski

falamos dele na sala, quando falamos de hai kais. pra mim, é leitura obrigatória. seus textos são demais!

[esta vida é uma viagem]
esta vida é uma viagem
pena eu estar
só de passagem

[carreira solo]
estrela cadente eu olho
o céu partiu
para uma carreira solo

[Por um lindésimo de segundo]
tudo em mim
anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu

tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas


[Incenso fosse música]
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

quer ler mais? dá um google em paulo leminski

domingo, 17 de outubro de 2010

Seção Leitura - Parte III

Essa seção vai em homenagem à Angela (EDI), que diz adorar o Chacal.

Dois poeminhas bem bacaninhas desse poeta marginal.

Primeiro eu quero falar de amor

meu amor se esparrama na grama
Meu amor se esparrama na cama
meu amor se espreguiça
meu amor deita e rola no planeta.


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Rápido e Rasteiro

Vai ter uma festa
que eu vou dançar
até o sapato pedir pra parar.

aí eu paro
tiro o sapato e danço
o resto da vida.


* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Encontre uma imagem para o poema - I

A tarefa é simples, tá no título. Comente neste post se você encontrar uma imagem bacana que tenha alguma relação de sentido com o poema abaixo:

Balada das dez bailarinas do cassino
Cecília Meireles

Dez bailarinas deslizam
por um chão de espelho.
Têm corpos egípcios com placas douradas,
pálpebras azuis e dedos vermelhos.
Levantam véus brancos, de ingênuos aromas,
e dobram amarelos joelhos.


Andam as dez bailarinas
sem voz, em redor das mesas.
Há mãos sobre facas, dentes sobre flores
e com os charutos toldam as luzes acesas.
Entre a música e a dança escorre
uma sedosa escada de vileza.


As dez bailarinas avançam
como gafanhotos perdidos.
Avançam, recuam, na sala compacta,
empurrando olhares e arranhando o ruído.
Tão nuas se sentem que já vão cobertas
de imaginários, chorosos vestidos.


A dez bailarinas escondem
nos cílios verdes as pupilas.
Em seus quadris fosforescentes,
passa uma faixa de morte tranqüila.
Como quem leva para a terra um filho morto,
levam seu próprio corpo, que baila e cintila.


Os homens gordos olham com um tédio enorme
as dez bailarinas tão frias.
Pobres serpentes sem luxúria,
que são crianças, durante o dia.
Dez anjos anêmicos, de axilas profundas,
embalsamados de melancolia.


Vão perpassando como dez múmias,
as bailarinas fatigadas.
Ramo de nardos inclinando flores
azuis, brancas, verdes, douradas.
Dez mães chorariam, se vissem
as bailarinas de mãos dadas.


(MEIRELLES, Cecilia. Mar Absoluto e outros poemas: Retrato Natural. Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1983.)


(enviada por Rafael)

Poesia visual - Parte II

Marcelo Sahea





gostou? tem mais aqui

Seção Leitura - Parte I

Amor e humor
Cacaso
(Antônio Carlos Ferreira de Brito)


Happy end
O meu amor e eu
nascemos um para o outro

agora só falta quem nos apresente


Estilos trocados
Meu futuro amor passeia — literalmente — nos
píncaros daquela nuvem.

Mas na hora de levar o tombo adivinha quem cai.

Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém

A parte perguntou para a parte qual delas
é menos parte da parte que se descarte.
Pois pasmem: a parte respondeu para a parte
que a parte que é mais — ou menos — parte
é aquela que se reparte.

Passeio no bosque
o canivete na mão não deixa
marcas no tronco da goiabeira

cicatrizes não se transferem

Os poemas acima foram extraídos do livro "Beijo na boca", Viveiros de Castro Editora (7Letras) — Rio de Janeiro, 2000, páginas diversas.