Bora mudar de assunto? A gente precisa respirar novos ares, né?
Tem uma coisa que eu curto muito na literatura que é a sua versatilidade com as tecnologias de leitura e de escrita. Da época medieval, quando música e poesia se confundiam e eram divulgadas pela oralidade (lembram disso? matéria do bimestre passado, gente!), passando pelos manuscritos, pelos rolos de papiro, pelos primeiros livros costurados à mão, pela exploração de outros suportes como camisetas, outdors, mimeógrafos, etc., e chegando hoje às tecnologias digitais, os poetas foram adaptando os modos de escrita, as linguagens, os estilos e as formas de fazer circular a sua poesia.
Na internet, existem vários artistas que exploram o que a rede tem de melhor.
Hoje vou indicar dois sites de poesia digital do escritor @samirmesquita. É bacana demais como ele explora principalmente duas questões totalmente atuais: a nossa disposição para ler textos curtos e a linguagem multimídia da rede (imagem, som, animação, links, etc..
O primeiro, "Dois palitos", traz micropoemas que podem ser lidos enquanto um fósforo queima. São poemas curtíssimos que você lê à medida que seleciona os palitos em uma caixa de Fiat Lux.
O outro site, 18:30, faz uma brincadeira ótima com a nocão que temos de tempo e de espaço. Uma foto aérea de um engarrafamento e algumas micro histórias nos revelam cenas cotidianas muito interessantes. É levar a poesia para uma das situações menos "poéticas" do dia a dia: ficar preso no trânsito!
Vale dar uma espiada! E quem quiser que conte outra!
Sim, é uma releitura do quadro de Caravaggio, pintor que conhecemos bem de nossas aulas nesse 4o bimestre.
A obra é parte de um ensaio inspirado na obra do pintor barroco, e reproduz cenas que simulam diversas obras do artista. A idéia, segundo texto da revista Zupi, é defender uma estética bem diferente da modinha Justin Bieber, muito praticada hoje. O bom-mocismo não tem vez: nada de homens de barba feita, cabelo impecável e carinha de bebê. Segundo os fotógrafos, é como se “Clube da Luta se encontrasse com a Contra-Reforma”.
"É claro que no século XVII não havia editoriais de moda. Mas, se houvesse, provavelmente se pareceriam com este.", diz o texto da Zupi.
Taí o resultado da nossa primeira enquete: "Quão barroco você é?"
O grande vencedor, com 55% dos votos, foi o perfil "Minha filosofia de vida é: aproveite o dia, porque a noite já que chega!"
Acho que já discutimos bastante sobre esse tema, que na verdade não é tipicamente barroco: está presente em vários momentos da literatura. Também é um tema bastante discutido em outras áreas e provoca muita reflexão ainda hoje.
Esse é um vídeo de 1999, produzido quanto todo mundo estava pensando na virada do milênio e essas questões existencialistas estavam totalmente na moda. Vale a pena assistir, tem passagens muito interessantes, apesar de um tom meio "american way of life".
Use filtro solar!
Aproveitando mais uma vez essa deixa, indico um texto super bacana selecionado pelo grupo do Rômulo (EDI) para o seminário. Boa leitura!
Em segundo lugar, com 25% dos votos, ficou o tema: "Adoro acessórios para me vestir e combinações esdrúxulas como xadrez, florais e correntes."
Pra essa galera, indico um texto super bacana e pocket sobre a relação da moda e da cultura.
Outra dica é pesquisar a biografia de Luís XIV de Bourbon, rei da França no séc. XVII. Figura totalmente controversa, gastava seu tempo tempo declarando guerras, distruibindo alimentos podres para os cidadãos de Paris e seduzindo mulheres que esperam que ele se apaixone por elas e as faça rainhas. No quesito "moda barroca", o rei Luis XIV é "o cara". Ah, Leonardo Di Caprio faz o papel de Luis XIV no cinema, no filme "O homem da máscara de ferro". Apesar dos milhões de erros de referências históricas do filme, vale a pena assisti-lo, só pelo figurino.
Empatados em terceiro lugar, com 10% dos votos cada um, os temas "Vivo em um eterno conflito com minhas escolhas, morro de inveja daqueles que são objetivos nas suas decisões." e "Não passo um dia sem zoar com a cara de alguém. Parece que nasci pra isso."
Pra galera dos conflitos, indico um teste básico, pra vcs começarem a focar um pouco mais algumas questões, pelo menos em relação à vida profissional.
Pros adeptos da zoação um site que todo mundo deve conhecer, mas que vale a pena voltar nele aqui: o charges.com. Mais um exemplo de crítica de bom gosto e com propriedade!
E aí, qual será a próxima enquete? Sugestões são super bem-vindas!!!
O Stephan (EDI 1A) ficou tão empolgado com o tema do Carpe Diem que fez até um blog sobre o tema.
Não deixem de dar uma espiada, gente!
Esse foi um dos temas que rendeu ótimas discussões na sala.
Sim, "colher o dia" é uma idéia positiva, poética, muito bacana mesmo, mas hoje tem sido explorada de forma muito negativa pela mídia e por aqueles que tem interesses no consumo desenfreado (assim como nos lembrou a Bianca (ELE 1A) na apresentação do seu seminário.
Até o caso Bruno foi citado como exemplo de como a idéia de "viver o momento" pode ser negativa e trazer graves consequências para aquelas pessoas que não pensam muito no dia de amanhã.
E aí, cá entre nós, como você planeja o seu futuro? Já parou pra pensar que ele pode ser daqui a pouco?
Essa tá boa pro Arapiraca: na leitura do quadro "São Paulo", de Jiusepe Ribera, na sala de aula, nossa querida e criativa aluna Nathália (EDI)viu uma poça d'água ao lado no santo.
Poizé. Tá certo que a gente vive falando mesmo que ninguém lê um texto da mesma forma, que o texto literário e as artes plásticas permitem ao leitor/expectador diversas leituras, e tal... mas há um limite aí, né?
Imagina se todo mundo lesse literalmente a placa "Pare fora da pista"? Acho que ia ter muita gente despencando de pirambeiras!!!
Aqui a questão é de perspectiva (noção que vem da ótica, daí a Física, o Arapiraca...), uma técnica que os pintores barrocos começam a explorar bastante e que funciona muito bem nesse quadro. E tal "poça" é na verdade a saída da carvena onde está São Paulo, esperando a morte chegar, observando a caverna, com o que restou de seu corpo material. Vida e morte, luz e escuridão... clássicos dualismos barrocos.
... mas a Nathália ainda jura que é uma poça d'água. Ai ai...